30 de maio de 2016

Eu

Eu sou Ana de Oliveira Rodrigues.
Sou engenheira eletricista.
Sou mãe de duas meninas (Alice 9, e Rosa 4), esposa do Juliano, filha, irmã, tia e cunhada, em graus de sucesso variados.
Sou sócia fundadora da Just Coding, uma escola de programação para crianças, junto com uma grande amiga que não tem nada a ver comigo e isso é a melhor coisa do processo.
Sou escritora amadora e pouco frequente neste meu blog, que só me vê quando meu marido viaja, eu estou deprimida, eu fico revoltada ou tenho uma ideia (que eu acho) extremamente legal.
Amo ler. Muito míope desde os 8 anos e sem óculos até os 12, livro era aquela coisa que eu entendia e via, em contraste com bolas de queimada, buracos na rua e folhas das árvores. Acho que livros são a melhor forma de imortalidade.
Adoro fazer amizades e falar à beça. Não curto muito música ambiente, pois atrapalha falar e ouvir. Escuto meio mal de um ouvido, então prefiro falar do que ouvir (bela desculpa, não?). Mas gosto de sentar e ouvir música, principalmente ao vivo.
Adoro gente inteligente, gente engraçada, gente profunda, gente que duvida, gente que pergunta, gente que discute e gente que me ensina. Tenho muita dificuldade de gostar de gente que não pensa, gente que acha que tem algumas gentes melhores que outras gentes, gente que repete o que leu na Veja como verdade universal. Mas tem excessões, se a pessoa for autêntica (tipo a Hebe, que eu amava, embora discordasse de TUDO que ela falava).
Meu famoso favorito é o Jean Wyllys.
Meu livro favorito é "Todos os Homens são Mortais" da Simone de Beauvoir. O segundo é "Midnight Children" do Salman Hushdie. O terceiro é o que eu estou lendo no momento, sempre. Cada livro me torna uma nova pessoa, porque, meio Zelig, eu passo sempre umas três semanas mudando tudo na minha vida baseado no que aprendi com cada livro. É o maior barato!
No momento estou em paz e feliz com meu corpo, minha casa, minha família e meu trabalho, e aproveitando bem, porque, se eu me conheço, não vai durar muito.
Amo ser convidada para arrumar armários e quartinhos e recentemente adicionei um paiol à lista dos lugares que transformei de zona total em inacreditavelmente arrumado. Faço isso por amizade e/ou por comida. Almoço ou janta, porque não gosto de acordar cedo.
Essa sou eu. Agora. Veremos ao final do próximo livro.

5 de abril de 2016

A casa com teto de vidro

Minha memória é péssima. Não no sentido de que eu esqueço coisas, e sim no sentido pior, em que eu esqueço a minha vida.

Escuto pessoas, como meu marido, falando que lembram da professora do jardim de infância, do primeiro dia de faculdade, de viagens, e morro de inveja. Sou viciada em fotografar e contar e recontar minhas histórias e em escrevê-las, porque este é o meu jeito de tentar não esquecer o que vivi. Sei que todas as minhas "histórias" e "memórias" hoje são baseadas em momentos que recontei tantas vezes que hoje me parecem reais. Quantos deles são, não sei mais.

Por isto, hoje, escrevo este post. Não quero esquecer este dia. Foi o dia que construí uma casa com teto de vidro no Minecraft com a Alice, que tem 9 anos. Ficamos três horas em frente ao computador, e, no final, no jantar, ela sorriu um sorriso acanhado e disse: "Hoje foi muito divertido." E eu respondi, honestamente: "Foi mesmo."

Por que isto é importante? Porque tem sido cada vez mais difícil eu e Alice nos divertirmos juntas. Ela sempre foi mais "física", e eu nunca brinquei muito destas coisas com ela. Juliano é o grande parceiro de brincadeiras dela. Ela sempre me chama para "brincar", mas eu nunca posso, ou não quero, ou acho a brincadeira meio perigosa ou entediante (às vezes perigosa E entediante, pode?). Estou quase sempre no celular, no carro, no trabalho, no computador.

Há dois dias, comprei o Minecraft por causa do trabalho (sim, tenho o melhor trabalho do mundo, dando aula de programação para crianças na Just CODING). Falei com ela, e disse, "Achei que você ia gostar de jogar comigo." Ela me jogou o balde d'água (vingança!!!): "Não tenho paciência para Minecraft".

Eu fiquei chateada. Achei que finalmente tinha achado um jogo que seria legal o suficiente para nós duas. Quando chegamos em casa, eu resolvi mostrar para ela o que já tinha aprendido. No começo, ela fez pouco caso: "Daqui a pouco buga tudo e você morre. Esse jogo é chato."

Aí, dali a pouco, bugou tudo, eu morri. Mas não desisti. Ela sentou do meu lado, e me deu o primeiro palpite: "Mata a galinha." E o segundo, e o terceiro. Quando a noite chegou e os zumbis correram atrás da gente, perdemos nossa casa, nossa vida, nossos suados pedaços de madeira. Mas aí eu apertei o botão de recomeçar, e fizemos tudo de novo.

Largamos a Rosa (4 anos) por três horas vendo Pepa Pig na TV (resolveremos um trauma de infância de cada filha por vez, ok?). Ela ficou com medo de sair da casa por causa dos zumbis, mas estávamos ficando com fome. Então, ela teve uma ideia brilhante e construímos um pomar dentro de casa! Quando chove, quebramos o teto para molhar as plantas. De dia quebramos o teto para que elas tomem sol. Eu jamais pensaria nisto.

Nossa horta indoors

Por pedido dela, saímos deste modo onde podemos morrer para o modo onde tudo está liberado, e construímos a casa com telhado de vidro. A primeira ideia dela foi colocar a água dentro de casa. E ficou lindo.

A água dentro da casa
Depois fizemos as paredes, sendo que uma delas brilha no escuro. Colocamos e tiramos tochas vermelhas. E, por fim, nosso teto de vidro. Enorme. Lindo. De dentro da casa vemos as estrelas.

Nossa casa com telhado de vidro
No final das três horas, conversei com ela sobre  como nossa casa de vidro era maravilhosa, e o quanto eu tinha ficado empolgada quando finalmente fizemos pão, com o trigo que colhemos da nossa horta dentro de casa. Que o pão tinha sido especial, pois ele tinha sido difícil de conseguir. No modo liberado temos pão o tempo todo, e quão pouco valor ele tem.

Tenho minhas filhas comigo o tempo todo. Elas são como a casa de telhado de vidro. Maravilhosas, todas as possibilidades diante delas. As semanas, meses, anos passam, e eu fico contente de estar com elas vendo a casa crescer e ganhar novidades. Mas hoje fiquei MUITO feliz de ter tido um dia fazendo pão.

Foi realmente muito divertido, filha.

24 de março de 2016

#Somos51PorCento

Este post é sobre o fato de que nós, mulheres, somos 51% da população mundial. Deveríamos ser 51% de todas as populações: dos engenheiros, dos policiais, dos políticos e das donas de casa. Tenho três sugestões para chegar nesta proporção.

1) Precisamos nos encontrar mais

No sábado, 12 de Março de 2016, participei do excelente Women Techmakers 2016 (#wtm16). É um encontro que existe desde 2012 em comemoração do dia da Mulher, onde mulheres da área de tecnologia discutem, aprendem, interagem. Este ano aconteceram encontros em 50 países, em um total de130 eventos, com a participação de mais de 12.000 mulheres envolvidas com tecnologia.

Precisamos de encontros como estes para que possamos conhecer outras mulheres engajadas, outras mulheres que aprenderam e podem nos ensinar, outras mulheres.

Para isto, é necessário que estes encontros sejam:
i) no final de semana, pois muitas de nós trabalham durante a semana.
ii) em lugares que tenham infra-estrutura para crianças, pois muitas de nós são mães e não tem com quem quem deixar os filhos.
iii) avisados com bastante antecedência, e que a pauta seja avisada por e-mail antes, para que possamos priorizar nossos escassos recursos de tempo.

Somos 51% da população, deveríamos ser 51% do público em reuniões. E deveríamos ser 51% das pessoas convidadas para falar. Se você não consegue participar de encontros, coloque o que seria necessário para participar nos comentários e eu incluo na lista acima.

2) Precisamos nos organizar mais

Neste momento político do Brasil, a filiação à partidos parece quase um palavrão. Mas a política não é feita apenas por partidos. Grupos organizados na internet, ONGs, grupos de amigos, e até empresas podem ser organizações políticas.

Conhecer e votar em mulheres que defendam plataformas feministas é o primeiro passo, mas pensar em se eleger no futuro, fazer campanha, é parte fundamental da cidadania.

Somos 51% da população, deveríamos ter 51% dos cargos eletivos, dos cargos de confiança, da autoria das leis, das presidências e conselhos. Se você já faz parte de uma organização, pressione para que regras para garantir ou incentivar este percentual sejam implementadas.

3) Precisamos nos comunicar mais

A desigualdade existe e persiste em muitos lugares que nem sabemos que ela está. Empresas, por exemplo, só mudarão suas políticas quando sua imagem pública for prejudicada pelas políticas vigentes.

Por isto, criei no Facebook o perfil Somos51PorCento onde você pode deixar depoimentos sobre instituições de ensino, empresas, serviços públicos, soluções coletivas ou individuais ou qualquer outra situação onde percebeu que políticas para incluir ou excluir mulheres são postas em prática.

A ideia é  fazer uma lista anual dos 10 melhores e piores lugares para se trabalhar, estudar, ir ao restaurante, morar, etc., baseada no que for colocado como depoimento. Se soubermos, e contarmos, podemos apoiar ou boicotar iniciativas, e, com isto, forçar mudanças.

Somos 51% da população, deveríamos ser 51% dos gerentes e das caixas de supermercado, dos engenheiros e das enfermeiras, dos professores infantis, dos artistas, das babás e dos garçons. Participe, mande suas sugestões, depoimentos, ideias para criarmos esta mudança.

#Somos51PorCento

4 de fevereiro de 2016

Para que colocar meu filho em uma aula de programação de computadores???

Para que aprender essa tal de programação?

Seu filho já faz aula de natação, inglês, talvez música.
Seu filho já frequenta um bom colégio.
Seu filho adora tecnologia, e você se preocupa um pouco que ele passe tempo demais na telinha.
Para que colocar ele em mais uma aula?

Como mãe de duas crianças, eu posso te dar várias razões práticas, que eu escreverei a seguir. Mas eu acredito que a principal razão para oferecer à sua criança a oportunidade de aprender a programar é: porque é simplesmente incrível.

Vivemos na revolução digital. Nossos avós ouviam rádio, nossos pais viveram a chegada da televisão, nós usamos os primeiros celulares. Nossos filhos são os primeiros nativos do mundo digital onde a criança nasce SE VENDO dentro da tecnologia.

A vida digital e a vida "real" se mesclaram de tal jeito, que as crianças de hoje em dia não entendem mais o conceito de "menino, sai da internet". A internet está em todo lugar. O registro diário no celular, no Facebook, é a realidade. As relações se expandiram para o digital. Agora é possível encontrar pessoas com os mesmos interesses, ler livros que nunca seriam acessíveis, aprender línguas com estrangeiros do outro lado do mundo, ver notícias em tempo real dos quatro cantos do planeta. 

E, por trás de toda esta revolução, provavelmente a maior depois da invenção da máquina a vapor, está a programação. Entender como esta revolução funciona, o que é possível fazer com ela, vai ser a chave para a inovação e a criatividade no futuro. Não é possível dominar o que não conhecemos. E entender como funciona o mundo em que vivemos é simplesmente incrível.

E o lado prático?

Além do sentimento incrível de entender o mundo, existem várias razões práticas para aprender programação. 

1) Crescimento profissional: A criança que não aprender como computadores funcionam não será capaz de criar com eles. Mesmo que nunca se torne um programador, em todas as carreiras é necessário usar computadores, não só nas engenharias, mas nas artes, direito, medicina. Como o físico Stephen Hawking disse:
"Se você quer revelar os segredos do universo, ou apenas ir atrás de uma carreira no século XXI, o básico de programação de computadores é uma habilidade essencial para se aprender." -- Stephen Hawking

2) Capacidade de solucionar problemas. Como disse Steve Jobs (fundador da Apple): 
"Todas as pessoas deste país deveriam aprender a programar, porque isto te ensina a pensar."  -- Steve Jobs
Programar consiste em treinar seu cérebro a dividir problemas em pequenos pedaços e atacar cada parte até resolver o problema por completo. Este treino é válido para todas as áreas da vida, e desenvolve a concentração, a paciência e a resiliência. 
"The best way to get ahead, is to get started."  -- Mark Twain (há uma certa dúvisa sobre se foi ele ou não que disse isso... mas a ideia é ótima!)
 O melhor jeito de sair na frente é dar o primeiro passo.
3) Habilidades lógicas e matemáticas. Programas são comandos que fazem máquinas funcionarem. Para "pensar como a máquina", é preciso pensar logicamente, matematicamente. Instruções precisas acompanhadas de roteiros definidos. Definir estratégias que façam sentido. Estas habilidades serão fundamentais para gerir negócios, planejar viagens, fazer orçamento pessoal e atingir objetivos.

4) Entender a tecnologia do futuro, suas vantagens e limitações. Duas tecnologias em crescimento vertiginoso nos últimos anos prometem mudar o mundo que conhecemos: Internet das Coisas e Inteligência Artificial.  Internet das coisas (IoT) é ter pequenos computadores em seu carro, seu relógio, sua geladeira. Cada um destes computadores poderar adiquirir informações, ajudá-lo com tarefas diárias, comunicar entre si. Assim, sua geladeira te avisará que o leite acabou, seu relógio irá te lembrar que está na hora de fazer exercícios e a porta da sua casa abrirá com a sua voz. 
Inteligência Artificial (AI) são computadores que aprendem com grandes quantidades de dados, descobrem padrões, fazem previsões e tomam decisões. AI já está presente nos telefones que reconhecem voz, no Siri da Apple, nas rotas do Waze, no Watson da IBM. Estamos produzindo cada vez mais informação, e o mundo vai se tornar cada vez mais dependente de máquinas inteligentes.  Saber falar esta linguagem será um grande diferencial no futuro. Poder produzir, ou saber conversar com quem produz este tipo de tecnologia permitirá entender seus limites, não acreditando em falsas promessas, e aproveitar todas as suas vantagens e usá-las em seu benefício criando novas soluções.

Por isto tudo, esperamos você e sua criança, meninos e meninas, para construirmos juntos este futuro.

25 de outubro de 2015

Plantão Médico (por uma Engenheira)

Explicação: Eu sou a única engenheira em uma família cheia de médicos. Avô, pai, cunhado, irmã. Passei boa parte do meu tempo ouvindo eles discutirem casos, tratamentos e explicações. Além disto, adorava assistir Plantão Médico e Scrubs. Como não consigo decorar nomes complicados nem que minha vida dependa disso, virou piada recorrente meus "erros" na hora de descrever nomes de medicamentos (e, invariavelmente, órgãos internos). O resultado é o texto abaixo.

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Ela chegou queixando-se de uma leve miodicitose.

Eu, como médica.
Indiquei à enfermeira que desse 14 mili-ges de fenoctiladina e observasse. Por precaução, pedi uma contagem de neociplastoses mínimas.

Mas o exame nem tinha sido realizado quando ela entrou em disruptose aguda. Imediatamente a entubei com uma placa 48; abrimos uma linha e injetamos duas ampolas de freocoliptídeos. Ela deveria estabilizar rapidamente.

Para nossa surpresa, o nível de preonícitos não parava de subir, então apelei para 6g de difenaclitercóide. Nada.

Chegando em assístole crônica, abri o peito dela, externo, miolo, interno, peguei o coração em minhas mãos. Aí ficou óbvio para toda a equipe: um miofaglocentróide atrapalhava toda a circulação!

- Clear! - eu gritei,  enquanto a enfermeira carregava em 110V.

O choque fez com que ela recuperasse alguma pressístole, mas a pressão ainda estava em 10 por 3,14. Hora de tomar a decisão heróica.

A equipe e eu sabíamos que apenas uma dissezolaparoscopia completa, radical mesmo, salvaria a vida da paciente. Bisturi número 9, pedi. Aço ou platina? Aço; não temos tempo.

Seccionei, puncionei, cauterizei, retirei suas amígdalas e um resto de apêndice. Ainda era pouco. Retirei um fígado, ela teria que se virar só com um. E foi então que o pior aconteceu. Completa parasectose.

Ninguém pode prever este tipo de reação, eu sei, mas algo me dizia que eu tinha que ir até o fim.

As enfermeiras entraram com meu bolo de aniversário, soprei as velas, e gritei:

- Mais 10mg de onteprazol, 22 ml de O positivo, e levantem mais esta maca!

Subi no peito da paciente, e, usando o tubo como guia, levei o laringegoscópio até o estômago. Lá estava ele, a raiz do miofaglocentróide. Queimei-a com o laser de cirurgia de miopia; hemonagioglocebina, agora!

Como se renascida dos mortos, a paciente voltou a respirar, apenas 52 minutos depois da parada cardíaca-pulmonar-intestinal. Estava salva!

Mais um grande dia no ER!

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Dedicado à Dra. Luiza, ao Dr. Luiz e ao Dr. Jorge. Originalmente escrito em 14/12/2004.

30 de setembro de 2015

O Dia do Mundo Melhor

Imagine um dia onde ninguém cometesse nenhum crime.

Um dia onde todos cumprissem a lei, as regras de boa convivência e de educação.

Onde todos respeitassem faixa de pedestre, proibido estacionar, sinal de trânsito,  vaga de deficiente, prioridade de fila, e o sinal de afivelar cinto de segurança no avião até a parada da aeronave.

Onde policiais não matassem bandidos e bandidos não matassem policiais. Onde políticos não desviassem dinheiro. Onde seu filho pudesse ir até a padaria sozinho, sem risco de ser sequestrado, baleado ou assaltado. Onde crianças e adolescentes não apanhassem, não utilizassem drogas e não batessem carteiras.

O efeito no Brasil de apenas um dia sem crimes seria 4.317 veículos que não seriam roubados, 172 mulheres que não seriam estupradas e 182 pessoas que não seriam assassinadas. (fonte)

Agora, imagine que este é também um dia de compaixão, de ajudar ao próximo. Oferecer uma mãozinha para quem está com sacolas pesadas. Dar dez reais e um sorriso para o mendigo do bairro. Ligar para quem você gosta e agradecer por tudo que esta pessoa trouxe de bom para sua vida. Fazer um trabalho voluntário, separar doações para quem precisa mais. Ouvir alguém com carinho sem julgamentos, e elogiar sinceramente um conhecido. Um dia sem preconceito, piadas racistas e machismo.

Eu proponho que este dia seja o dia 4 de Janeiro de 2016, o primeiro dia útil do ano. Começando com o pé direito.

Apenas um dia. Um dia para vermos como seria um mundo melhor. Um dia para provarmos que o ser humano tem jeito, que podemos ser melhores. Um dia para sabermos como o mundo poderia ser. Um dia de segurança, aproximação e esperança.

Quem sabe a gente se acostuma?

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1) Se você tem mais sugestões de como fazer o Dia do Mundo Melhor ainda melhor, adicione nos comentários!

2) Se você gostou da ideia, compartilhe com o máximo de pessoas que puder. Mande para jornais, empresas, amigos e conhecidos. Esta ideia só vai decolar se estivermos todos juntos. E você é parte importante disto. Cada pessoa faz diferença. Conto com você! Até dia 4!

8 de setembro de 2015

10 Razões pelas quais seu cachorro NÃO é seu filho

Desculpa, mas não.
Várias pessoas que não tem filhos, e algumas que tem (!), de vez em quando se revoltam porque o resto da sociedade não trata seus gatos ou cães como seus "filhos".

O mais recente foi uma reclamação no Facebook sobre uma família (um casal de idosos e sua filha) que foi "expulsa" da Boca do Forno São Bento porque estavam com uma cadela (a empresa nega que foram expulsos, dizendo que eles pediram para que eles se retirassem, a família argumenta que isto é a mesma coisa que expulsar).

Eu não ia me intrometer, mas no argumento a filha diz que:

"Eu, meu pai e minha mãe (já idosos), fomos convidados pela funcionária, a nos retirarmos do local!!!!"
"Enquanto isso, crianças pequenas correm e gritam pelo ambiente, choram alto, pingam catarro e continuam lindamente lá!"

Opa, peraí.

Acho que agora foi longe. O fato de que crianças possam estar no estabelecimento NÃO te dá o direito de colocar o seu cachorro lá.  Existem, pelo menos, 10 razões pelas quais seu cachorro não é uma criança:

  1. Você não pode deixar seu filho em casa sozinho para ir lanchar.
  2. Você não vai castrar seu filho se não quiser cuidar dos netos.
  3. Você não vai dar os filhos do seu filho para estranhos (às vezes por dinheiro).
  4. Você não permitiria que alguém separasse seus filhos dos amigos e família dele quando ele fizesse 10 dias.
  5. Você não vai sacrificar seu filho se ele estiver doente e comprar outro filho parecido.
  6. Se seu filho for atropelado, você não vai descansar enquanto quem o atropelou não seja punido.
  7. Seu filho não vai fazer xixi e cocô em áreas públicas (incluindo restaurantes como a Boca do Forno).
  8. Você não vai separar seu filho de TODOS os outros seres humanos, fazendo-o conviver apenas com uma raça diferente da dele que decide quando ele vai comer, sair de casa, fazer sexo e se reproduzir para o resto da vida dele.
  9. Você não vai deixar seu filho com estranhos quando viaja.
  10. Seu filho não vai morder, latir e pular em estranhos (principalmente os que não gostam de crianças) em restaurantes.
Eu imagino que quem gosta muito de animais de estimação, acha que esta relação é boa para os dois lados. O humano tem um "companheiro" e o animal ganha casa, comida e roupa lavada. E é "da família".

Só que não é bem assim. Vou fazer um paralelo. Outra categoria que geralmente recebe esta conotação "como se fosse da família" são empregadas domésticas. Como mostra o excelente filme "Que Horas Ela Volta?", esta é uma forma disfarçada de tentar transformar em "bondade" uma relação que é basicamente de controle e submissão. Seu cachorro será "da família" até morder alguém. A empregada será "da família" até tentar dormir na cama da patroa. Ou comer na mesa da sala. Ou usar o banheiro social. Enfim, será sempre uma relação desigual.

Eu tenho um grande amor por todas as espécies de seres vivos (insetos menos um pouco). Por isto, não acredito que neurotizar um outro ser vivo, mantendo ele enjaulado pela vida toda seja amor. Um argumento interessante seria dizer que nós "domesticamos" estes animais, e que agora eles não tem mais condições de viver sozinhos. Verdade. Mas quando esta domesticação aconteceu, a gente também morava em comunidades rurais, com muito espaço, e os bichos viviam soltos! Ninguém foi evolutivamente selecionado para viver em área de serviço, sem janela ou espaço verde, de um apartamento no vigésimo oitavo andar. Nem bicho, nem gente.

Por fim, estudos indicam que os cachorros também não se sentem seus filhos. Eles entendem que fazem parte de uma matilha, onde eles estão na escala mais baixa. Por isto o comportamento submisso ("carinhoso"), entristecido ("dócil") e pacífico ("feliz"). Projetamos nos bichos nossos sentimentos de gratidão, amor e carinho, enquanto eles estão encarcerados, subjugados e isolados de qualquer chance de vida independente.

Não me espanta que, às vezes, fujam. "Fecha a porta, senão ele escapa".

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PS1: Escrever este texto me deu um desconforto extremo, por comparar os bichos de estimação com empregadas domésticas. Quero deixar bem claro que minha crítica aqui é ao tratamento similar que nossa sociedade dá para animais e domésticas, e o quanto ambos os tratamentos são terríveis na minha opinião. Inclusive, a ideia de que os animais domesticados não conseguiriam viver sozinhos era um dos argumentos dos senhores de engenho para não libertar os escravos, que seriam incapazes de viver sem a proteção do dono. Já estamos avançando em alforriar as domésticas, com a Lei da Doméstica, que ofereceu à elas quase os mesmos direitos que todos (!) os outros trabalhadores tem. Talvez esteja em tempo de pensarmos em alforriar os animais de estimação.

PS2: Por coerência com estes sentimentos, nunca tive empregada que dormisse no serviço, e hoje, apesar de ter duas filhas de 9 e 3 anos, e trabalhar fora de casa, não tenho empregada doméstica todo dia. Contrato os serviços de uma faxineira duas vezes por semana e uma passadeira de 15 em 15 dias, que chegam na hora que querem, fazem o serviço e vão embora na hora que querem. Trato as duas não como se fossem "da família", mas como seres humanos dignos, que provêm um serviço que preciso e pelo qual são remuneradas. Obviamente criei um laço afetivo com as duas, mas não uso este laço para pedir que façam mais do que o serviço contratado. Tive dois hamsters e um peixe como animais de estimação, logo que me casei. Depois disto percebi a crueldade do que estava fazendo, e me prometi nunca mais fazer isto.

A Última Guerra

 O último mês viu o nascimento do ChatGPT . Pela primeira vez, um programa de computador é capaz de responder à perguntas como um ser humano...